sexta-feira, 26 de abril de 2013

Betty Blue, diário de um fracasso


"Betty Blue", de Jean-Jacques Beineix, é o filme desta sexta (26) no ciclo "A Filosofia e o Cinema Existencial", iniciado em 15 de março.

A obra é de 1986, e seu roteiro se baseia no livro de Philippe Djian "37,2 de manhã" (temperatura de uma mulher grávida ao despertar). Os atores são Jean-Hugues Anglade como Zorg e Béatrice Dalle como Betty. Todos são franceses, assim como a produção e as locações.

O autor do livro diz que pensava num personagem único com um lado masculino e outro feminino, enquanto o filme descreve dois personagens bem distintos, um casal de namorados que parece concordar em tudo (v. citação em inglês). O que mantém o fator subjetivo no filme é o narrador homem em primeira pessoa, em forma de diário de vida.

Como reflexão sobre o casamento, o relato mostra como uma bela relação amorosa se transforma em tragédia, a medida que aparecem os distúrbios comportamentais sem controle. Não bastaria a concordância interna; também se requer a adaptação a códigos sociais. Como pura introspecção individual, a história quer mostrar como o ser humano descobre a loucura dentro de si mesmo e tenta eliminá-la por não saber como integrá-la à sua vida. Às vezes os instintos de morte podem ser canalizados e sublimados; às vezes devem ser contidos e proibidos.

Betty e Zorg: bondade e maldade não sobrevivem juntas.
Apesar de ser totalmente francês, o filme tenta parecer um road movie norte-americano, com elementos universais e outros dos Estados Unidos dos anos 80, mas não deixa de ser europeu no conteúdo (abstrato e trágico). Veja abaixo um trecho, onde se ouve a música minimalista new age de Gabriel Yared, autor de conhecidas trilhas sonoras (O Paciente Inglês, O Amante, Cidade dos Anjos).

Até dezembro deste ano, a série de debates no Centro de Integração do Mercosul se centra no tema filosófico "o homem a sós ante si mesmo". Os ciclos prévios analisaram conteúdos políticos (2010), religiosos (2011) e psicológicos (2012).

A intenção deste Ciclo é radicalizar a abordagem do homem-no-mundo para além da política, da religião e da psicologia. "Trata-se, agora, do valor e do sentido da existência, das vivências que imprimem singularidade e autenticidade, da finitude humana, bem como dos caminhos para romper com a solidão existencial", informa o prof. Luís Rubira, coordenador do projeto de extensão do Dep. de Filosofia da UFPel (v. programação 2013).
Imagens da web


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